* Delírio de uma Solidão *



Aureolado da opala, o topázio e a ametista

que o sol ocíduo põe na agonia da tarde

Os montes que de légua ou de léguas se avistam

os amplos juzos as cimeiras em pedrarias ardem

nesta suntuosa nudez não há olhar que resista

nem o quieto esplendor quem se não acovarde

Meu bem tinha no olhar doçura extrema

de um lago refletindo o azul do céu tranquilo

e trazia na fronte, o místico diadema

da régia perfeição das virgens de Murilo

Quando meu bem de mim se despediu

Num domingo outonal e macilento

Nos ninhos houve preces de agonia

e frêmitos de dor na voz do vento...

Se meu bem voltar, me encontrará velhinho,

cansado de sofrer, vencido pelos anos...

Nos cabelos o alvor de crúcios desenganos

nos olhos o pesar de quem viveu sozinho...

Adeus... adeus meu bem, adeus minha saudade

É chegado o momento atroz da despedida;

Não calculas amor, o quanto doi, estas frases de palavras fatais:

Amor? Desejo? Adoração?

Quem há de desvendar este labirinto

em que se imerge a minha mocidade...


* Lobo Solitário * -05/08/2008

Postado Por: lobo solitario Hora 11:19 |